outubro 31, 2007

...


Reza a lenda que no extremo do arco-íris está um pote de ouro.

Fui...

outubro 28, 2007

Conto de fadas #2


Ana M. Bile in olhares.com

Perdida em divagações, sorria...

Pensava nele e em todo os momentos que haviam vivido, em todas as horas e dias partilhados, em todas as palavras e sorrisos trocados naquela espiral de ternura que os unia.

Faltavam três dias para o próximo beijo, três dias para o sentir novamente...

Não tardava a acontecer outra vez a magia surgida como que por encanto...

Perdida em divagações, construia imagens mentais... Palavras para quê?

Há momentos em que as palavras não chegam...

Interrogações



Porque será tão difícil às pessoas acreditar que estamos (estou) no caminho certo? Que é esta a minha vida e que é isto que quero?

Como explicar a alguém que nos quer bem (do querer bem genuíno, verdadeiro) que estou feliz e que sim, é verdade, estou apaixonada como nunca estive?

Mesmo quando me respondes que este momento é um instante na minha vida, que nunca, mas nunca fui assim (tu que me conheces tão bem), que não assenta na minha maneira de ser, na racionalidade que sempre marcou a minha vida...

É verdade, pela primeira vez algo fugiu à forma como sempre vivi a minha vida, mas também pela primeira vez as dúvidas eclipsaram-se, as certezas instalaram-se e pela primeira vez vivi momentos que julgava distantes, fantasiosos, porque demasiado ambiciosos (achava eu!)...

Porque será tão difícil acreditares em mim quando te digo que não, não foi demasiado rápido, porque há certezas e sentimentos e emoções que não escolhem horas, nem se adequam aos nossos tempos, ou aos tempos que, um dia, escolhemos para nós... Porque esta plenitude não escolhe o momento que julgamos o mais adequado, mas ao contrário, bate-nos à porta quando menos esperamos...

Porque sim, é verdade, corro o risco de me ferir, de um dia acordar desenganada... Mas tudo o que já vivi aguenta bem esse risco... e não, não é uma ilusão...

De tudo e como não alcancei vitória, porque não te persuadi que quero este momento para sempre e que o vou viver para sempre, ficou a tua promessa do ombro amigo para carpir o desgosto que tu teimas em apostar no meu caminho.

Um dia, vou poder não te dar razão e dizer-te que eu sabia, que esta firmeza vem dum lugar distante, mas que existe, que é real...

Nesse dia, vou gostar de abraçar e de te dizer que também estou muito feliz por ti, porque aí, vou ver-te chegar a esse mesmo lugar na companhia de alguém que há-de surgir na tua vida e que será tão especial como tu.

outubro 21, 2007

Amor colorido




De que cor é o amor?

Ou terá todas as cores ou só uma?

Rosa, como os primeiros... os da escola primária ou do início da adolescência, em que o peito se enche com um olhar, um bilhetinho trocado, um dar de mãos, um sorriso... parecendo eterno naquela eternidade que marca anos tão verdes e tão puros?

Azul, cor da tranquilidade quando depois daquela paixão inicial, trilhamos um caminho juntos, partilhando muitas vezes durante algum tempo, que, à data, pretendemos para sempre, experiências, modos de ver o mundo, modos de viver o mundo, numa identificação que julgamos plena, mas que depois, seja por que for, se revela incapaz de satisfazer as nossas vontades?

Negro, porque para lá caminhámos ou para lá fomos levados e damos por nós num beco sem saída, ou sem outra saída que não seja o encerrar da ilusão do "... e viveram felizes para sempre."?

Vermelho, cor do sangue e da paixão, quando naturalmente não é amor, mas desejo puro que, depois de algumas vezes saciado, se revela, uma vez mais, demasiado imperfeito para viver só por si, mas que, se acompanhado por uma outra qualquer cor, nos pode levar ao êxtase?

Verde, cor da esperança, porque não felizes, vivemos, contudo, na expectativa, tantas vezes, vã, de alcançarmos a plenitude, a satisfação integral e sem reservas dos nossos anseios através do outro, daquele que nos devia completar... ou então, porque vivemos a aguardar o dia de amanhã, porque é amanhã que vamos estar com o nosso amor?

Amarelo, cor da preguiça, quando nos deixamos arrastar por uma indolência sem fim à vista e sustentamos o que já não tem sustentação possível... ou, quando pelo contrário, preguiçamos a dois, aninhados nos braços da ternura e do carinho?

Sabendo que o negro, adjectivo, do lat. nigru, do que se carateriza pela ausência de cor, por receber a luz e não a reflectir...

O meu é de todas as cores...

Rosa, porque voltei à adolescência, porque um olhar me enche o peito, porque um sorriso me enche a alma, porque voltei a acreditar que vai durar para sempre...

Azul, porque ao mesmo tempo que me agita, que me estimula, traz-me uma serenidade já experimentada, mas a solo, nunca acompanhada... uma quietação sem a qual já não posso e não quero viver, porque me faz bem à alma...


Vermelho, porque quase me mata de desejo, de paixão, de cobiça por um corpo que, quando junto ao meu me deixa inteira...


Verde, porque creio firmemente que vai ser amanhã e depois de amanhã e depois de depois de amanhã que vou poder desfrutar plenamente, pela presença física, do meu amor por completo...


Amarelo, porque o "dolce far niente" na companhia do meu amor é a melhor coisa do mundo...

outubro 16, 2007

Suspensa



de A. Brito in olhares.com
Suspensa do tempo... porque há horas que demoram eternidades e dias que passam num segundo...

outubro 13, 2007

Fragilidade (II)



"E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te e vai para onde ele te levar." in "Vai aonde te leva o coração" de Susana Tamaro

Não, o meu querer não é frágil: estou exactamente no sítio onde o meu coração me disse para estar...

outubro 12, 2007

Fragilidade (I)

Será tudo à nossa volta tão frágil como aparenta ser?

Seremos nós próprios feitos de pedaços de luz e cor e sombra que, a qualquer momento, se podem desintegrar, tornando-nos não sabemos exactamente em quê?

E o que nos rodeia? Não as coisas, porque essas serão sempre as menos importantes na nossa vida... Mas aquilo que nos mantém unidos às outras pessoas, os sentimentos, as emoções, aqueles elos de ligação, de amor, de ódio, de indiferença... Serão igualmente feitos de fulgores, de cintilações que, a alturas tantas se esvaeim, muitas vezes nada deixando e levando a interrogar-nos se gostámos mesmo de alguém ou se não gostámos? Transformando aquilo que foi a nossa vida, ou aquilo que foi por nós acalentado e acarinhado vezes sem conta numa expressão de menor significado, quase irreal, por não parecer ter sido vivida?

Será a fragilidade uma constante dos sentimentos? Sim, claro que os mesmos sentimentos têm que ser alimentados (blá, blá); mas e quando o são (convenientemente alimentados e acarinhados), mas mesmo assim surge o vazio, simplesmente porque algo falhou? Uma expectativa, tão somente? Seremos tão egoístas ao ponto de deixar cair aquilo que nos alimentou durante algum tempo apenas porque não foram cumpridos todos os nossos desejos (e no caso, um em particular)?

Ou, pelo contrário, a fragilidade unicamente se revela se nós deixarmos, se deixarmos de cuidar daquele sentimento que nos preenche a alma (amor ou ódio, tanto faz)?

Já te disse tudo isto e porque, desta vez, cabe-me a mim fazer o papel de consciência, digo-te novamente, com toda a crueldade que aparentam as minhas palavras: só serás infeliz se quiseres; de outra forma, deves carregar em ti o peso do contentamento, fazendo primeiro de ti uma pessoa irremediavelmente feliz e quem sabe? (lugar comum) talvez...

outubro 10, 2007

outubro 07, 2007

A uma amizade


Spanish Lullaby in Wordpress.com

"E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre." in "Não te deixarei morrer, David Crockett" de Miguel Sousa Tavares

A vida (ou eu mesma, ou tu ou ambos - provavelmente direi a vida porque assim não me sinto tão culpada) encarregou-se de me afastar de uma amizade. O que me resta dela, para além da saudade, são os momentos felizes partilhados, o riso fácil, os tempos de esperança eterna, algumas tristezas e angústias que carregadas a dois tornavam-se mais leves. E a possibilidade, a sempre possibilidade de reaproximação.

No entanto, pela distância e sobretudo pelo tempo passado, tornámo-nos mais crescidos, mais adultos; então, porque não sabemos lidar com tal situação? Porque não nos abeiramos e não passamos por cima deste tempo que foi bom para mim e com toda a certeza, também foi bom para ti? E partilhávamos tudo o que de perfeito nos aconteceu (sim, também aquilo que nos pesa - não tenho muito para contar nessa parte - apenas o já esperado; tu tens?).

Porque agradava-me saber-nos novamente conhecedores das vidas que nos correm, das ocasiões que se sucedem e, chama-me lá egoísta, adorava partilhar contigo este (novo) instante da minha vida que quero para sempre.

outubro 03, 2007

Fantasia



Era isto... Era mesmo isto...

Se pudesse, agarrava-o e sem ouvir qualquer palavra que lhe lembrasse alguma racionalidade, seria para ali que o encaminharia. Para ali e de encontro a si, a tudo o que dois corpos apaixonados se podem provocar mutuamente.

Mutuamente, porque e sem qualquer dúvida, momentos havia em que eram dois num só, em que o mundo parecia pequeno para as pontas dos dedos de ambos, juntos numa ânsia repleta de desejo.

Desejo, porque o mais simples dos toques trazia-lhe a ela, mil cambiantes de prazer.

Prazer, porque por mais que rebuscasse nas brumas da memória, não tinha, até ele, viajado naquele enlevo que agora, porque o tinha provado, queria para toda a vida.

Vida, porque sentia que era isto...

Era mesmo isto...

E aí, não estava a pensar na praia, nem na água de tom anil, nem na rede que parecia aguardar apenas a presença de duas figuras que pudessem completar tão intensa fantasia...

outubro 02, 2007

Hoje estou assim...









outubro 01, 2007

A voz

Não gostava daqueles dias em que não lhe podia ouvir a voz.
A distância física, inevitável, porque imposta por motivos profissionais não lhe pesava. Causava-lhe saudades, muitas saudades, vontade de o ver, de o sentir, de o tocar... vontade de tudo o que sabia impossível, pelos quilómetros que os separavam, mas não lhe trazia qualquer tipo de angústia ou de pesar.
Mas o mesmo não acontecia pela falta da voz, daquela voz que, todas as noites antes de dormir a embalava e a encaminhava para dias futuros.
A ausência da voz dele deixava-a triste, descontente...
Descontente até se o dia era um daqueles em que tudo corre na perfeição, em que os acontecimentos assumem vontade própria, sucedendo-se numa escala de tudo o que deve dar-se bem.
Mesmo nesses momentos, a falta da voz dele roubava-lhe cor ao dia, enfraquecia o brilho do sol ou tornava a chuva mais sombria.
E, então pensava que, na sua vida, teria mais dias daqueles, daqueles que não gostava.
Mas, aí chegada, pensava também que, mais que esses dias, seriam os outros, aqueles que não só teria a voz, mas a presença, o corpo, as mãos, a boca e o abraço.
E tudo voltava a fazer sentido e o sol refulgia ou a chuva tornava-se luminosa, branqueando qualquer réstia de tristeza que lhe tivesse ficado.