
Spanish Lullaby in Wordpress.com
"E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre." in "Não te deixarei morrer, David Crockett" de Miguel Sousa Tavares
A vida (ou eu mesma, ou tu ou ambos - provavelmente direi a vida porque assim não me sinto tão culpada) encarregou-se de me afastar de uma amizade. O que me resta dela, para além da saudade, são os momentos felizes partilhados, o riso fácil, os tempos de esperança eterna, algumas tristezas e angústias que carregadas a dois tornavam-se mais leves. E a possibilidade, a sempre possibilidade de reaproximação.
"E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre." in "Não te deixarei morrer, David Crockett" de Miguel Sousa Tavares
A vida (ou eu mesma, ou tu ou ambos - provavelmente direi a vida porque assim não me sinto tão culpada) encarregou-se de me afastar de uma amizade. O que me resta dela, para além da saudade, são os momentos felizes partilhados, o riso fácil, os tempos de esperança eterna, algumas tristezas e angústias que carregadas a dois tornavam-se mais leves. E a possibilidade, a sempre possibilidade de reaproximação.
No entanto, pela distância e sobretudo pelo tempo passado, tornámo-nos mais crescidos, mais adultos; então, porque não sabemos lidar com tal situação? Porque não nos abeiramos e não passamos por cima deste tempo que foi bom para mim e com toda a certeza, também foi bom para ti? E partilhávamos tudo o que de perfeito nos aconteceu (sim, também aquilo que nos pesa - não tenho muito para contar nessa parte - apenas o já esperado; tu tens?).
Porque agradava-me saber-nos novamente conhecedores das vidas que nos correm, das ocasiões que se sucedem e, chama-me lá egoísta, adorava partilhar contigo este (novo) instante da minha vida que quero para sempre.
