novembro 30, 2007

Estado em que me encontro


São 06H51 e não há sono que venha ter comigo novamente depois de ter dormido três míseras horas e de ter despertado convicta que o sol já tinha raiado havia muito.

novembro 26, 2007

Conto de fadas #3



A saudade não cansa...

novembro 25, 2007

Não esquecer... ou um post-it sobre como evitar tempestades

Respirar fundo... várias vezes. Sempre.

Lembrar que a minha vida é feita à minha medida: nos sentimentos, experimento agora o que sempre quis; vivo no limiar do amor, da paixão e do desejo num dia-a-dia que quero para a vida e que, generosamente, me dá a medida daquilo que é completo. Na profissão, a agitação necessária, se bem que, por vezes excessiva, mas que, no fim, acaba por me fazer sentir recompensada, privilegiada.

Na margem de tudo o que me deve rodear, amizades genuínas, da vida e para a vida; um espaço catalizador de boa energia onde me encontro, onde me refugio e onde o bem- estar é palavra de ordem.

Por isso,

Lembrar (sempre) que o reflexo da mágoa é a imediata protecção de mim, com tudo o que daí advenha: o afastamento, o não querer saber. Lembrar (sempre) que essa protecção não faz de mim pior pessoa, apenas me salvaguarda do que não posso mudar porque não depende da minha vontade, mas que não quero na minha vida.

Não esquecer (nunca) seja pela passagem do tempo, seja pelo óbvio exercício de insensibilidade, de estar atenta e disponível para qualquer mudança que possa provocar uma aproximação, mas autêntica, não fingidora de uma harmonia que não passa, uma vez mais, de uma miragem.

Colocar de lado a culpa, aceitar (finalmente) que não tenho poderes mágicos nem varinha de condão que possam trazer a vivência sã, acolhedora e pacífica que sempre desejei.

E posto isto, ponto.

novembro 18, 2007

Tempestade



Respirar fundo...

novembro 17, 2007

Doçura

Vejo os gestos atarefados do pintor na tarefa de dar nova cor ao meu mundo.

Gosto da tonalidade com que se vai pintar a minha vida... gosto da doçura e da tranquilidade que sai das paredes e se espraia pela casa, dando um ar leve, quase etéreo, ao ambiente que me rodeia e onde acumulo boas energias.

Aquela irreverência não contida dilui-se à medida que, uma e outra vez, os gestos repetidos do pintor vão acumulando suavidade nas paredes, tornando-se cada vez mais o sítio onde me apetece regressar ao fim de um dia.

Gosto de me pensar nesta quietude, agora que se avizinham os dias de manta, chá, bolos quentes e filmes no sofá.

Gosto de (nos) pensar nesta doçura...

novembro 14, 2007

Abraço



de Maria Isabel Batista in olhares.com

Lembras-te?

Eram estas que eu te pedia. Pacientemente explicavas-me, uma e outra vez que não, que estas não eram flores para roubar à vida. Porque, dizias, empalideciam à mera suposição de serem aprisionadas por capricho humano.

Lembro-te nos campos a ensinar-me o nome das árvores (amoreira, a única de que havia memória para aqueles lados), o nome dos arbustos (alfazema, já conheces, que dá bom cheiro às nossas gavetas), o nome dos pássaros (águia real, linda, não é?), tantos nomes de tantas coisas que aprendi contigo.

Ensinaste-me a respeitar a ordem natural do mundo, a perceber que tudo na vida tem um tempo, tu que regias a tua pelos ciclos das vidas que te rodeavam. Que não adianta contrariar a natureza, porque a natureza tem vontade própria e não cumpre os desejos dos homens. E, quando o faz, dizias, mais tarde vai pedir contas.

Ensinaste-me a ser gentil com as pessoas porque, acreditavas, uma palavra afectuosa pode fazer a maior diferença no dia de alguém - era assim, que tu, homem simples, sem saber ler ou escrever, mas tão conhecedor da realidade, cuidavas de quem se abeirava de ti. Ensinaste-me que a vida se deve levar com um sorriso nos lábios e que não há contrariedade que não se torne mais leve com um abraço amigo. Sabias do que falavas: a amizade era a tua pedra de toque.

Tal como a tua família, que era, afirmavas sem qualquer hesitação, a melhor do mundo; nunca nada, nem ninguém, nem sequer os teus amigos que, por te conhecerem esse amor devoto e incondicional, brincavam e gracejavam com tamanha vaidade, te conseguiram dizer o contrário. Eras vaidoso, contigo e com os teus: pela parte que me toca, gostavas do meu cabelo comprido, gostavas-me vestida de cores alegres, de saia ou vestido.

Gostavas do meu jeito de maria-rapaz, das minhas brincadeiras que, inevitavelmente, metiam bichos e flores e pedras e paus e ervas. Não o admitias, tentando preservar um certo clima de estabilidade familiar (o entendimento lá de casa era o que destas coisas da educação sabem mais as mulheres - argumento batido e rebatido, lembras-te?); por isso, encaminhavas-me para divertimentos mais adequados à minha condição de menina, mas ambos sabemos, vibravas e acalentavas (quando só os dois) a minha ânsia de te acompanhar e de marcar presença em todos os momentos que sabia que contavam.

Graças a ti, vi e vivi a condição humana reduzida às suas limitações, tive grandes alegrias (olha, vai nascer! já nasceu! posso pegar-lhe? deixa, vá lá...), tive grandes tristezas ( não podes ajudar? da outra vez conseguiste! não...), mas sobretudo vivi os melhores anos da minha vida, cresci feliz e protegida de tudo aquilo que sabias (e como sabias!) que podia perturbar o meu sorriso.

Já depois, quando já não desfrutávamos da companhia um do outro por inteiro, sempre foste a minha (única) árvore, de raízes profundas, tronco forte e copa frondosa onde tantas vezes me enlaçei na busca daquele abraço que me fazia renascer e sentir novamente protegida.

Hoje lembro-te e sorrio, porque continuo a sentir o teu abraço e continuo a sentar-me no teu colo enquanto esperas que os cogumelos selvagens que colheste assem na lareira, para depois, com manteiga e uma pitada de sal, nos deliciarmos, e eu, lambuzada, dizer-te: "Tão bons, avô! Trazes mais amanhã?"

novembro 12, 2007

Lume


"Vai caminhando desamarrado
dos nós e laços que o mundo faz
vai abraçando desenleado
de outros abraços que a vida dá

Vai-te encontrando na água e no lume
na terra quente até perder
o medo, o medo levanta muros
e ergue bandeiras para nos deter

Não percas tempo
o tempo corre
só quando dói é devagar
e dá-te ao vento
como um veleiro
solto no mais alto mar

Liberta o grito que trazes dentro
e a coragem e o amor
mesmo que seja só um momento
mesmo que traga alguma dor

Só isso faz brilhar o lume
que hás-de levar até ao fim
e esse lume já ninguém pode
nunca apagar dentro de ti"

...

Mafalda Veiga, A cor da fogueira

novembro 09, 2007

Beijo



"... a melhor surpresa que a minha vida me reservou até hoje."

A tua generosidade encanta-me. Tal como me encantam outras marcas da tua personalidade, outros traços da tua maneira de ser, de ver o mundo e a vida.

O jeito com que cuidas do nosso mundo de afectos encanta-me. Encanta-me cada palavra a que imprimes tanta ternura que, por vezes, parece que este mundo não chega.

Encanta-me o carinho que me dás, a paixão com que vives o nosso presente e o nosso futuro; encantam-me as tuas certezas, porque também são as minhas.

Quando me tocas, encantas-me...

Encanta-me a ternura do teu abraço, mas também a força com que me estreitas a ti, que me faz desejar ficar ali, abraçada por ti, longe da realidade, mas naquela realidade que é só nossa.

O sonho, todos os sonhos que já vivemos e partilhámos, dividindo cada pedaço de firmamento alcançado, encantam-me.

Sentir-me feliz, acordar feliz, sorrir a meio do dia porque uma qualquer lembrança de um qualquer momento sentido ao teu lado cruza o meu espírito, encanta-me.

Saber que tu fazes, irremediavelmente, parte da minha vida, porque já fazes parte de mim e de tudo o que compõe os meus dias, encanta-me.

O teu beijo não me encanta, enfeitiça-me...

novembro 06, 2007

Tal e qual

novembro 05, 2007

...



E não é que encontrei o pote de ouro...